quarta-feira, 12 de março de 2014

Uma breve história do Linux

Para entendermos toda a filosofia do softwre livre e do Linux precisamos conhecer como era a informática no princípio e o que levou o Linux a aparecer. Quer queira, quer não, a história do Linux está ligada à Microsoft.


Antes mesmo da Microsoft e da Apple existirem, as empresas de informática (IBM, Xerox, GE, etc) forneciam hardware para as empresas. O software era imbutido no equipamento. Os aplicativos eram criados pelas empresas cliente, ou mesmo pela empresa fornecedora através de um contrato de prestação de serviço. Era comum os programas serem entregues com seus códigos fonte escritos em Cobol ou Frontran. Era comum a empresa cliente ter programadores que alteravam o código do programa para que este se adequasse à empresa.

Enquanto isso um grupo de entusiastas liderados por Dennis Ritchie e Ken Thompson lutavam para escrever um sistema operacional que fosse mais portável, ou seja, que rodasse em mais equipamentos, e que não dependesse do fabricante do hardware: o Unix. O Unix era aberto, ou seja, vários programadores ao redor do mundo podiam alterá-lo. E essas alterações eram repassadas para os demais programadores. Por ser estável, escalável e multiplataforma, as grandes empresas passaram a utilizar o Unix como base para seus sistemas. Assim, a IBM criou o AIX, a Sun criou o Solaris, a HP o Hpux, e outros mais. Cada sistema focado no hardware de suas empresas. 


Com o surgimento da microcomputação no início da década de 1970, as grandes empresas não deram muita importância para os computadores pessoais. Elas não viam motivos para pessoas comuns comprarem um computador, visto que manter um sistema era caro, pois era necessário contratar programadores. É aí que entram dois visionários: Steve Jobs e Bill Gates.


Jobs e Gates vislumbraram um mundo onde cada cidadão teria um computador pessoal. A questão era como desenvolver sistemas para esse público não especializado A idéia foi criar programas generalistas, amigáveis, baratos, e que cumpririam a maior parte das necessidades das pessoas, e vender o direito de uso dos programas. Não haveria necessidade de customizações. O programa não pertencia ao cliente. Este tinha apenas o direito de uso. As mudanças sugeridas pelas pessoas poderiam ser incluídas na próxima versão do software, que novamente deveria ser comprado. Dessa forma era possível ganhar dinheiro desenvolvendo software barato, mas para um público maior. Nasciam as gigantes Microsoft, de Bill Gtes, e Apple, de Steve Jobs.

Em 1983, Richard Stallman lança o projeto GNU com o objetivo de criar um sistema operacional livre. Ele definiu que um software, para ser livre, precisava cumprir 4 requisitos:

  • Possiblidade de rodar em qualquer equipamernto, para qualquer fim;
  • Possibilidade de modificar o programa para atender a qualquer objetivo;
  • Possiblidade de copiar e distribuir o programas livremente;
  • As modificações feitas em um software livre também deveriam ser livre.




Com isso, Stallman queria garantir que o conhecimento fosse compartilhado, e que as pessoas não ficassem dependentes das grandes empresas de TI para conseguir o software que atendesse às suas necessidades. Em 1985 Stallman cria a Free Software Fundation, FSF. Em 1989, Richard Stallman escreve a primeira versão da GNU General Public License.

Em 1990, um estudante de informática finlandês chamado Linus Benedict Torvalds adquiriu um computador IBM PC 386 para poder estudar o Unix. O computador veio com o Microsoft Windows instalado. Torvalds, que não queria o sistema da Microsoft, exigiu um desconto na compra do equipamento, o que lhe foi negado. Revoltado, por assim dizer, Torvalds resolveu escrever um sistema operacional semelhante ao Unix que funcionasse no seu computador. Em 1991 ele postou em um site o primeiro código e convidou os membros a contribuirem com o desenvolvimento. Nascia o Linux.

Em 1992, seguindo a recomendação de Richard Stallman, Linux Torvalds licencia o Linux sob os termos da GNU GPL. Por isso, o nome correto do Linux passou a ser GNU/Linux.

Assim, vários grupos ao redor do mundo começaram a contribuir com o Linux. Ainda em 1992 as primeiras distribuições surgiram. Distribuição, ou distro, é um conjunto de software que acompanha o Linux, e que podem ser fornecidos em uma midia, como o CD. No ano seguinte surge a distribuição Slackware, a mais antiga ainda em atividade, e depois a Debian, que hoje possui a maior comunidade de usuários.



Em 1994, Torvalds lança a versão 1.0 do Linux. Como "versão do Linux" queremos dizer a versão do "kernel", ou seja, a versão do núcleo do sistema operacional. Assim, hoje (2014) a distribuição Debian mais nova é a 7.0, que vem com o kernel 3.2. No ano do kernel 1.0 surgiram também as distribuições Red Hat e Suse.

Em 1996 surge o kernel 2.0. A principal mudança foi o suporte a múltiplos processadores. Nesse momento, as grandes empresas começam a considerar o uso e o apoio ao Linux. A interface gráfica, ainda pobre, começa a ganhar recursos interessantes com o projeto KDE. Diferentemente de outros sistemas, como Windows e OSX, o Linux possue várias interfaces gráficas para os mais variados gostos e necessidades. 

Em 1997 surge a primeira grande distribuição brasileira, a Conectiva, versão Perolin. O projeto Gnome tem inicio em 1999 com a meta de criar uma interface gráfica tão boa quando a KDE, porém mais leve. Várias distribuições adotam o Gnome como interface padrão, entre elas a Red Hat.

Em 2003 nasce a distribuição brasileira de maior sucesso até então: o Kurumin. Seu criador, Carlos Morimoto, personalizou uma distribuição chamada Knopix, traduziu a interface para o português brasileiro, e adicionou um painel que ficou conhecido como Ícones Mágicos, que permitia instalar vários programas complicados com apenas um click. Várias distribuições passaram a utilizar ferramentas parecidas. Outra característica do Kurumin era o fato de ser Live-cd, ou seja, rodava pelo cd, sem necessidade de instalação. Com isso era possível usar o Linux sem medo de perder os arquivos. Todas essas características ajudaram na divulgação do Linux.


Em 2004, a Canonical lança do Ubuntu. Sua estratégia de enviar gratuitamente seus cd para qualquer parte do mundo (numa época em que ninguém tinha banda larga) é uma revolução e faz com que o Ubuntu, em poucos anos, passe a ser a distribuição mais usada em desktop, o que fez com a Dell  passasse a vender laptos com o Ubuntu pré-instalado em 2007. No mesmo ano, a Google anuncia o Android, sistema operacional baseado no Linux voltado para dispositivos móveis, como tablet e smartphone.

Hoje em dia o Linux está em todos os setores, como smartphones, desktop, servidores, supercomputadores, robôs, eletrodomésticos e relógios de pulso. Ele já é o sistema operacional mais usado no mundo, só perdendo para o Windows nos desktop, mas seu uso vem crescendo a cada ano.

Quando digo que trabalho com Linux, as pessoas pensam mais ou menos como na imagem abaixo.







E qual a melhor distribuição Linux? Isso depende de quem vai usá-la e para qual finalidade. Para saber qual a melhor distro prá você é só seguir o fluxograma abaixo (clique na imagem para ver melhor)