quinta-feira, 27 de março de 2014

Por que usar Linux?

Linux é melhor que Windows?

Essa pergunta simplista costuma ser respondida também de forma simplista. Os xiitas apaixonados pelo pinguim respondem usando argumentos como segurança, liberdade e estabilidade. Já os fan boys do Windows argumentam que o Linux é difícil de usar e não tem jogos. Mas todos se esquecem de perguntar: melhor para quem? Para saber qual é o melhor sistema operacional é necessário avaliar onde ele será usado, para qual finalidade, e por quem. Neste artigo eu pretendo mostrar alguns pontos que devem ser levados em conta quando entramos nessa questão.

Primeiramente temos que conhecer os tipos de licenciamentos existentes. Pode ser que você nem ligue para a licença, mas lembre-se de que estamos analisando os softwares em um nível mais global. Há vários tipos de licenças de software. As principais são apresentadas abaixo.

Proprietária : É a mais comum. Você tem o direito de usar o software mediante o pagamento de uma taxa, mas não pode modificá-lo, e nem redistribuí-lo. Um exemplo desse tipo de programa é o Windows.

Shareware : Usada quando se quer demonstrar um software proprietário. Possui limitações quanto a versão proprietária, ou pode funcionar apenas por algum tempo. A cópia é permitida, mas não a modificação do programa. Jogos promocionais são os melhores exemplos de shareware.

Grátis : Usadas em programas que são distribuídos livremente. Você tem permissão de instalar em quantos equipamentos quiser, e pode ser distribuído livremente. Mas você não tem permissão para modificá-lo. A maioria dos programa shareware também são grátis, mas um software grátis não possue as limitações que o shareware possuem. O Avast (versão doméstica) e o Adobe Reader são exemplos de programas grátis.

Código aberto (open source) : Um programa de código aberto contém as mesmas restrições de um programa proprietário, mas seu código fonte está disponível para consulta. Apesar de ter acesso ao seu código, a alteração não é permitida. O programa de votação eletrônica é de código aberto. Algumas universidades possuem contrato com as empresas de software para poderem analisar o código fonte de alguns programas com o objetivo de estudo.

Livre (Free) : Free aqui não quer dizer grátis, embora quase todos os softwares livres são também grátis. Todo software livre é também de código aberto, mas nem todo software de código aberto é livre. A diferença é que um software livre pode ser alterado livremente por qualquer um e pode ser redistribuído, desde que as alterações realizadas também sejam livres. O Linux é o melhor exemplo de software livre.

Bsd : A licença Bsd é mais liberal do que a Livre, pois permite que as alterações feitas no software posssam ser proprietárias. O FreeBSD é um exemplo de software Bsd.

Agora que sabemos as diferenças entre as licenças, vamos analisar o Linux para diversos públicos. 


Linux para usuários domésticos

Para o usuário doméstico, que usa o computador para navegar na Internet, trocar e-mail e mensagens instantâneas, fazer documentos, apresentações e planilhas, o Linux atende perfeitamente. O custo é zero, a incidência de vírus é praticamente zero, a estabilidade é total. Uma desvantagem que eu vejo para o usuário doméstico é o efeito "novo". O "novo" assusta. O efeito de sair procurando as coisas é horrível para o usuário comum. Realmente o Linux é um outro universo, embora seja tão amigável quanto o Windows. Mas veja por um outro lado: o Windows 8 também é um outro universo. Quem está acostumado com o Windows XP/Vista vai se sentir perdido no Windows 8. A curva de apredizagem é a mesma para o Windows 8 e o para o Linux. Outro ponto negativo talvez seja a instalação de hardware. Mas um usuário não técnico vai acabar chamando um técnico para instalar seu hardware de qualquer forma, seja em Windows ou Linux. Então isso não chega a aser um problema.


Gamers

O principal argumento dos defensores do Windows é a questão dos jogos. Há mais jogos para Windows do que para Linux. E isso é verdade, embora esse cenário esteja mudando com a entrada da Valve no mundo Linux e com a sua plataforma de código aberto para jogos. Mas ainda é pouco. Mas veja por outro lado. Se você quer um computador para jogos, então compre um Playstation, ou um Xbox. São melhores e mais baratos, né?


Profissionais de TI

Aqui não tem discusão. Se você é um profissionai de TI você só tem a ganhar com o Linux, principalmente por dois motivos. Primeiro: se você sabe programar, então o Linux te disponibiliza uma infinidade de linhas de código nas mais diversas linguagens, como C, C++, Perl, Php, Python, etc, além das documentações. Segundo: o fato de poder instalar, desinstalar, reinstalar e manter várias versões do mesmo software sem precisar se preocupar com licenças, vigências e número de instalações já é uma enorme vantagem. Poder testar, mudar configurações e avaliar os programas é essencial no aprendizado da ferramenta. No mundo Windows é comum ter que instalar software shareware que expira em alguns dias, ou ter que ficar aguardando novas licenças do fornecedor. E é frustante saber que a versão shareware não tem habilitada justamente a função que você quer testar. Isso não ocorre no Linux.


Empresas

Avaliar se o Linux é melhor para empresas é um pouco complicado. A economia com licenças é uma enorme vantagem. Uma empresa com 100 desktop tem que desembolsar cerca de R$ 150.000,00 só com licenças de Windows e Office, isso a cada 2 ou 3 anos. Se contarmos com os programas para servidor esse valor é ainda maior. Porém o maior problema é na implantação do Linux. Há muito software específico e legado que só roda em Windows. Por exemplo, em uma empresa que trabalhei a Intranet só funcionava no Internet Explorer. Foi necessário fazer alterações no site para que ela funcionasse no Firefox, e só depois pensar em migrar para Linux. Portanto, uma migração para Linux deve se rmuito bem planejada, feita em etapas, sem pressa. Comece com serviços em servidores menos críticos, DHCP, DNS, FTP, servidores de arquivo. Mas mesmo com todo esse trabalho, após a migração, a empresa ficará livre de fornecedores, livre de gastos com licenças, livre das amarras que as empresas de software fechado impõem. Mas não se iluda: sempre vai ficar um legado, um desktop que precisa do Windows, um servidor que roda uma aplicação crítica proprietária, etc.

Outro ponto e o treinamento. É necessário treinar o funcionário no novo sistema. Mas, como já falei, se sua empresa pretende migrar para o Windows 8, então é certo que você vai precisar dar treinamento também.

Agora, se a empresa tem parcerias fortes com fornecedores de software proprietário, se o negócio está muito amarrado com seus parceiros, se a empresa presta suporte em TI e seus clientes fazem questão de usar programa fechados (seja lá por qual motivo) então o Linux pode não ser um bom negócio. Se o seu negócio está focado na VENDA de software, e não no SERVIÇO de suporte, então Linux não é para você. 


Governos

Depois do caso Edward Snowden os governos passaram a olhar os programas abertos e livres mais de perto. Como saber se aquela atualização do programa não contém uma backdoor? Como saber se o sistema operacional não está gravando minha tela e enviando para a CIA? Somente com software livre é possível analisar o código fonte e ter a certeza de que tudo está no lugar. 

Outra vantagem para os governos é o fim da evasão de divisas. As verbas com licenças não são enviadas para o exterior; antes são investidas em empresas nacionais, geram renda e trabalho em seu próprio país, e isso gera a independência tecnológica.


Conclusão

Quando me perguntam se Linux é melhor que Windows eu respondo com duas outras perguntas: melhor em que? melhor prá quem?

Se você não está com paciência prá aprender algo novo, ou está sem tempo, ou não quer comprar um console de jogos, então continue com o sistema operacional atual. Prá você o Windows é melhor. Mas antes de sair falando que o Windows é melhor, pense: "melhor prá quem? melhor em quê?". A filosofia da troca de conhecimento, prá mim, não tem preço. Prá mim, o Linux é muito melhor. Prá mim!